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quarta-feira, 11 de maio de 2011
Pará tem 10 mil gatos por mês
Em Ananindeua, um homem subiu até o topo de um poste para fazer uma ligação irregular e teve dificuldades para descer. Ele levou choques, foi socorrido por vizinhos e ficou com queimaduras. As imagens são de funcionários da concessionária de energia.
Quando o sistema elétrico não suporta a sobrecarga, transformadores pegam fogo. No início do ano, o dono de um restaurante Fábio Começanha fez um protesto em frente à concessionária de energia. Ele perdeu 500 picolés e outros alimentos depois de ficar mais de 20 horas às escuras.
“São R$ 3mil que eu pago por mês de energia elétrica. É natural que eu exija um serviço que estou pagando de qualidade”, afirmou o empresário.
O Pará é um dos estados que mais furtam energia no país, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ganchos são usados nas pontas dos fios para ligar os “gatos” à rede de eletricidade.
“Estamos tirando algo em torno de dez mil irregularidades por mês, sendo que isso distribuídos entre ganchos e fraudes em medição”, afirma Carlos Couto, gerente do departamento de recuperação de energia da concessionária do Pará.
Parte do prejuízo vai para a conta do consumidor, que paga a tarifa de energia. Em Belém, fiscais realizam operações diárias de combate às fraudes. Quem faz ligação clandestina é flagrado tentando desfazer o “gato”.
A interrupção do fornecimento de energia é um dos prejuízos provocados pelas ligações clandestinas. Os “gatos” são responsáveis pelo furto de mais de 30% da energia distribuída no Pará. O crime põe em risco a vida de quem insiste em desafiar a lei.
Remo goleia Tuna e briga pela liderança no Pará
O Clube do Remo goleou a rival Tuna Luso por 5 a 2 na segunda-feira, 9, no estádio Baenão, e chegou a vice-liderança da Taça Estado do Pará, o segundo turno do Campeonato Paraense. O confronto foi válido pela sexta rodada do turno. A Tuna foi eliminada da competição.
Os gols do Remo foram marcados por Rafael Morisco (duas vezes), Rodrigo Dantas e Rafael Granja (também duas vezes). A Tuna, que chegou a abrir o placar, marcou com Adriano Miranda e Dudu. Finazzi, contratado por três meses pelo Remo, entrou no intervalo, mas não participou muito da partida.
O Remo, com 13 pontos, enfrenta na última rodada o Independente, que também briga pela liderança, com 12 pontos, no estádio Navegantão. O São Raimundo, líder com 13 pontos, joga fora de casa com o Paysandu e o Cametá, que com 12 pontos fecha os classificados para as semifinais, joga também fora contra a Tuna Luso.
Os quatro times jogam para decidir a ordem final da zona de classificação e os mandos de jogo e vantagem do empate na próxima fase. O campeão do turno enfrenta o Paysandu na final do campeonato - o Papão foi o campeão da Taça Cidade de Belém, o primeiro turno.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Açaí de mil e uma utilidades
O açaí é uma espécie de palmeira encontrada no Amazonas, Pará, Maranhão, Acre e Amapá.
O açaí pode ser consumido de diversas formas: sucos, doces, sorvetes e geléias. Atualmente é muito consumido o açaí na tigela, onde a polpa é acompanhada de frutas e até mesmo de outros alimentos. Na região amazônica, a polpa do açaí é muito consumida com farinha de mandioca ou tapioca.
A polpa do açaí é um ótimo energético, sendo que cada 100 gramas possui 250 calorias, o açaí é uma fruta rica em proteínas, fibras e lipídioIndústria de cosmésticos nacional e internacional está utilizando o açaí para produzir cremes, shampos e outros produtos de beleza, sementes do açaí também são utilizadas no artesanato da região norte.Encontra-se nesta fruta as seguintes vitaminas: C, B1 e B2, o açaí também possui uma boa quantidade de fósforo, ferro ecálcio.
As folhas do açaízeiro são usadas para a produção de produtos trançados como:bolsas, redes, sacolas, etc.
Devido sua resistência, serve como cobertura de casas como produção de telhados.
Diga não à divisão do Pará
O Portal Belém 1 assume publicamente a sua posição contra a divisão do Pará, por acreditar que esta divisão acontecerá mais por interesses políticos e econômicos do que por interesses sociais e igualitários.
Por isso, estaremos disponibilizando uma série de reportagens sobre o tema e incitando a discussão: Você é contra ou a favor da divisão do Estado?
Envolva-se neste tema e participe deixando suas opiniões em forma de comentários ou no perfil do Facebook do Portal Belém 1.
Por isso, estaremos disponibilizando uma série de reportagens sobre o tema e incitando a discussão: Você é contra ou a favor da divisão do Estado?
Envolva-se neste tema e participe deixando suas opiniões em forma de comentários ou no perfil do Facebook do Portal Belém 1.
Como ficaria o Pará dividido?
Movimentos
Jatene apóia plebiscito, mas tem medo do reflexo eleitoral
O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), é favorável ao plebiscito sobre a divisão territorial para criação dos Estados de Carajás e Tapajós, nas regiões sul e oeste paraenses, mas defende a realização de uma campanha de comunicação para esclarecer a população sobre "as ameaças e oportunidades da divisão".
Para Jatene, a população deve ter a total clareza do que vai escolher e suas reais consequências. O tucano também não admite que o plebiscito esteja "associado a qualquer tipo de processo eleitoral". O governador teme que a consulta ocorra em 2012, ano de eleição para vereador e prefeito.
Estimativas preliminares apontam que o retalhamento do Pará custaria R$ 3 bilhões aos cofres públicos.
Deputado federal reeleito pelo PSDB, mas que renunciou ao mandato para assumir a Casa Civil do governo paraense, Zenaldo Coutinho foi autor da emenda no valor de R$ 1 milhão para realização de estudo, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), sobre os impactos sociais e econômicos da divisão para os governos estadual e federal.
Contrário à divisão, Coutinho não gostou de saber da manobra feita pelos deputados Lira Maia (DEM-PA) e Giovanni Queiroz (PDT-PA) para que os projetos de decretos legislativos que autorizam os plebiscitos fossem votados da maneira como ocorreu ontem, em sessão esvaziada da Câmara, em Brasília.
Segundo a assessoria da Casa Civil, Coutinho estava "indignado", mas preferia ainda não falar sobre o assunto antes de ter uma reunião com Jatene.
Prazos. De acordo com o texto aprovado ontem na Câmara dos Deputados, no prazo de dois meses, contado da proclamação do resultado do plebiscito e se este for favorável à criação de novos Estados, a Assembleia Legislativa do Pará deverá se manifestar sobre a medida, devendo dar conhecimento da decisão ao Congresso em três dias úteis.
Caso os Estados do Tapajós e de Carajás sejam criados, restaria apenas 17% do território original do Pará, incluindo as regiões norte e nordeste e o arquipélago de Marajó e mantendo Belém como capital do Estado.
Homem morre eletrocutado por Poraquê em Moju
Um homem de 22 anos morreu depois de ser eletrocutado por um peixe elétrico em um rio, há 130km de Belém. O balneário Levi, onde ocorreu o acidente, é um dos pontos turísticos mais frequentados na cidade de Moju.
Diego Galvão Oliveira e os parentes se divertiam nessa parte do balneário, quando ele decidiu dar um mergulho. A família não se preocupou porque o rapaz sabia nadar, mas em pouco tempo ele simplesmente desapareceu na água.
Quando o corpo foi retirado do rio, as pessoas que frequentam o lugar começaram a desconfiar que Diego poderia ter sido vítima de um poraquê – também conhecido como peixe elétrico. Os funcionários antigos do balneário não quiseram falar sobre o assunto, mas um rapaz recém-contratado como zelador, afirmou que ficou com medo de tomar banho no rio depois do que aconteceu.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Quem sai do Xingu, não volta mais. E sai sem nada
Quem não faz parte do time, quem não é de ONG, Cimi ou qualquer dessas entidades que defendem a devolução aos índios das terras que eles tinham nos tempos de Cabral, que tente conseguir alguma informação sobre o grande esquema para tirar centenas de famílias de produtores rurais das terras. Para que elas seja entregues a algumas tribos! Não conseguirá de jeito nenhum...O esquema, para manter-se secreto, sem acesso à informações aos que, por exemplo, podem querer contestar o absurdo, é descentralizar tudo. Ao se pedir alguma informação na Funai, o sujeito é mandado para outra cidade. O argumento: “não, aqui a gente não sabe nada”. No Cimi a mesma coisa. Nas ONGs, nem se fala, até porque muitos de seus membros não falam português e fazem questão de não falar, para não precisar dar explicações. Quando a vítima vê, sua terra foi tomada à força e o governo já mandou a Força Nacional de Segurança, para tratar quem viveu na terra durante anos, produzindo, como se fosse bandido.
Exagero? Não é. Em São Félix do Xingu está acontecendo. Grandes, médios e pequenos proprietários que viviam na área durante longos anos, produzindo grãos e criando gado, perderam tudo. Sob o tacão da Força Nacional de Segurança, são impedidos de tirar qualquer bem ou animal de suas propriedades. Se saírem – só com o que puderem levar, como a roupa do corpo e bens pequenos – nunca mais podem voltar. Não há como recorrer, porque a decisão do governo foi baseada em estudos apresentados pelas entidades que querem a floresta intocada e, não importa se verdadeiros ou não, tais estudos são considerados definitivos. Rondônia que se cuide! Em Porto Velho, Vilhena e Espigão, o que está acontecendo no Pará e já aconteceu no Mato Grosso do Sul, está prestes a se repetir por aqui.
SEM PROCESSO JUDICIAL
"Vivemos na prática uma ditadura ambiental no Pará, onde os empresários são tratados como bandidos, sem qualquer direito a defesa. Nunca antes vimos indústrias sendo desmontadas e levadas embora pela polícia, sem qualquer processo judicial". A frase é do empresário Luís Carlos Tremonte, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Sudoeste do Pará (Simaspa). Não se ouviu o mesmo de autoridades de Rondônia?
PATROL
Mesmo na temporada de chuvas, mesmo com todas as dificuldades para executar o trabalho, o DER já patrolou mais de mil quilômetros de estradas em Rondônia, segundo o diretor Lúcio Mosquini. Para pouco mais de 100 dias de trabalho, é um resultado muito positivo, que não se pode ignorar. Parece que o Mosquini é um verdadeiro patrol no trabalho, com o perdão da comparação.
NÃO TEM JEITO!
Que hospital aguenta atender, em menos de três dias, mais de 500 novos pacientes? Pois esse é o número de casos graves registrados no João Paulo II, em Porto Velho, só no último final de semana. E praticamente tem sido uma rotina. Nessa média, são 2 mil casos/mês, apenas de sexta a domingo. Daí, compreende-se a crise na saúde pública.
CENTRO DAS ATENÇÕES
Vilhena fica no extremo sul do Estado, mas nesta sexta-feira passa para o centro...das atenções. É que lá se realiza a segunda sessão itinerante da Assembleia Legislativa. Por enquanto os deputados se concentram no encontro de amanhã. A semana que vem, voltam a Porto Velho e para as sessões normais. Que, aliás, têm ficado cada vez mais quentes...
FIM DOS JOGOS
Os Jogos Estudantis de Rondônia (JOER) se realizam há vários anos, desde os tempos do governador Teixeirão. Passou Jerônimo Santana, por Osvaldo Piana, por Valdir Raupp, por José Bianco e foi ainda mais ampliados no governo de Cassol e depois de João Cahulla. Pois os Jogos, assim como são, estão com os dias contados. Terão sua última edição neste ano. O governador Confúcio Moura já anunciou que, do jeito que são realizados, os JOER não se repetirão a partir de 2012.
SEM A VITRINE
Muitos políticos não vão gostar da novidade. A enorme concentração de estudantes – muitos que já votam – e de seus parentes, sempre foi um excelente momento de fazer política, mesmo longe das eleições. Com a decisão de Confúcio, muitos pré-candidatos, candidatos e até atuais detentores de cargos eletivos, hoje, ficarão sem a importante vitrine...
À MÃO ARMADA
Na região de Buritis, um homem do campo, conhecido como Orlando da Condor, arrendou uma fazenda para tentar melhorar sua vida. Foi um sonho em vão. Ele acusa membros da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que vivem na região, de terem atacado a fazendo, fortemente armados. O grupo, segundo denúncia de Orlando, roubou 400 cabeças de gado. Prejuízo dele: 600 mil reais.
POLÍCIA NÃO ENTRA
Como não há policiamento na região e a LCP, que usa táticas de guerrilha, ataca quando e onde quiser, sem ser molestada, a vítima do roubo vai buscar na Justiça indenização do Estado, a quem ele culpa pela falta de segurança na região. Em Buritis, policial não entra onde está a LCP. Lá quem manda é a chamada Liga dos Camponeses Pobres e seu poderoso armamento.
Fonte: RD / Sérgio Pires
Exagero? Não é. Em São Félix do Xingu está acontecendo. Grandes, médios e pequenos proprietários que viviam na área durante longos anos, produzindo grãos e criando gado, perderam tudo. Sob o tacão da Força Nacional de Segurança, são impedidos de tirar qualquer bem ou animal de suas propriedades. Se saírem – só com o que puderem levar, como a roupa do corpo e bens pequenos – nunca mais podem voltar. Não há como recorrer, porque a decisão do governo foi baseada em estudos apresentados pelas entidades que querem a floresta intocada e, não importa se verdadeiros ou não, tais estudos são considerados definitivos. Rondônia que se cuide! Em Porto Velho, Vilhena e Espigão, o que está acontecendo no Pará e já aconteceu no Mato Grosso do Sul, está prestes a se repetir por aqui.
SEM PROCESSO JUDICIAL
"Vivemos na prática uma ditadura ambiental no Pará, onde os empresários são tratados como bandidos, sem qualquer direito a defesa. Nunca antes vimos indústrias sendo desmontadas e levadas embora pela polícia, sem qualquer processo judicial". A frase é do empresário Luís Carlos Tremonte, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Sudoeste do Pará (Simaspa). Não se ouviu o mesmo de autoridades de Rondônia?
PATROL
Mesmo na temporada de chuvas, mesmo com todas as dificuldades para executar o trabalho, o DER já patrolou mais de mil quilômetros de estradas em Rondônia, segundo o diretor Lúcio Mosquini. Para pouco mais de 100 dias de trabalho, é um resultado muito positivo, que não se pode ignorar. Parece que o Mosquini é um verdadeiro patrol no trabalho, com o perdão da comparação.
NÃO TEM JEITO!
Que hospital aguenta atender, em menos de três dias, mais de 500 novos pacientes? Pois esse é o número de casos graves registrados no João Paulo II, em Porto Velho, só no último final de semana. E praticamente tem sido uma rotina. Nessa média, são 2 mil casos/mês, apenas de sexta a domingo. Daí, compreende-se a crise na saúde pública.
CENTRO DAS ATENÇÕES
Vilhena fica no extremo sul do Estado, mas nesta sexta-feira passa para o centro...das atenções. É que lá se realiza a segunda sessão itinerante da Assembleia Legislativa. Por enquanto os deputados se concentram no encontro de amanhã. A semana que vem, voltam a Porto Velho e para as sessões normais. Que, aliás, têm ficado cada vez mais quentes...
FIM DOS JOGOS
Os Jogos Estudantis de Rondônia (JOER) se realizam há vários anos, desde os tempos do governador Teixeirão. Passou Jerônimo Santana, por Osvaldo Piana, por Valdir Raupp, por José Bianco e foi ainda mais ampliados no governo de Cassol e depois de João Cahulla. Pois os Jogos, assim como são, estão com os dias contados. Terão sua última edição neste ano. O governador Confúcio Moura já anunciou que, do jeito que são realizados, os JOER não se repetirão a partir de 2012.
SEM A VITRINE
Muitos políticos não vão gostar da novidade. A enorme concentração de estudantes – muitos que já votam – e de seus parentes, sempre foi um excelente momento de fazer política, mesmo longe das eleições. Com a decisão de Confúcio, muitos pré-candidatos, candidatos e até atuais detentores de cargos eletivos, hoje, ficarão sem a importante vitrine...
À MÃO ARMADA
Na região de Buritis, um homem do campo, conhecido como Orlando da Condor, arrendou uma fazenda para tentar melhorar sua vida. Foi um sonho em vão. Ele acusa membros da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que vivem na região, de terem atacado a fazendo, fortemente armados. O grupo, segundo denúncia de Orlando, roubou 400 cabeças de gado. Prejuízo dele: 600 mil reais.
POLÍCIA NÃO ENTRA
Como não há policiamento na região e a LCP, que usa táticas de guerrilha, ataca quando e onde quiser, sem ser molestada, a vítima do roubo vai buscar na Justiça indenização do Estado, a quem ele culpa pela falta de segurança na região. Em Buritis, policial não entra onde está a LCP. Lá quem manda é a chamada Liga dos Camponeses Pobres e seu poderoso armamento.
Fonte: RD / Sérgio Pires
Localizado em São Luís homem acusado de furtar veículo no Pará
O autônomo Djamar Viana dos Santos, 42 anos, foi preso ontem na Delegacia do Vinhais, quando conduzia um veículo Gol prata, modelo 2009, com a placa fria NHQ-8859. Djamar foi intimado pela delegada Janaína Cardinale, para prestar depoimento sob acusação de ameaça a uma pessoa e foi capturado ao chegar com o veículo, furtado em 2009.
Foto: Divulgação
Djamar Viana dos Santos, 42 anos
Segundo o Onildo Sampaio, chefe de captura da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), os investigadores do Vinhais desconfiaram da placa do veículo e pediram para fazer uma vistoria. “Eles anotaram o número do chassi, pediram para fazermos o levantamento do carro, e descobrimos que trata-se de um veículo furtado, em 2009, da Loja Grim Veículo, em Belém do Pará”, contou. Com as informações em mãos, os policiais da delegacia do Vinhais prenderam o acusado e levaram junto com o carro para a DRFV, na Vila Palmeira.
O veículo foi furtado quando Djamar trabalhava na concessionária, colocando vidro fumê em automóveis. Djamar foi autuado por furto qualificado, pelo delegado Paulo Hertel, e está à disposição da Justiça.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Águas do Amazonas invadem escola em Santarém e alunos saem de férias
As aulas do ano letivo de 2010 em 46 escolas de Santarém, terminaram na semana passada. O calendário da Secretaria Municipal de Educação prevê que os alunos fiquem em férias em maio, junho e julho e retornem às aulas apenas no início de agosto, quando começa o ano letivo de 2011. Quem manda neste calendário é o Rio Amazonas, que banha a cidade de 290 mil habitantes.
No período de cheia, a água invade toda a região de várzea, incluindo casas e escolas. Antes disso, o transporte escolar já começa a ser feito por barcos e lanchas. Por isso o recesso escolar é diferente das demais escolas da cidade, que seguem o ritmo tradicional e têm férias nos meses de julho e dezembro.
Na várzea, as escolas são de madeira e são construídas nos pontos mais altos, mas é comum haver perda de equipamentos ou material didático por conta da água. Antes do início do ano letivo, em agosto, às vezes é necessário promover reformas.
- Em algumas comunidades, não há terra firme em nenhum lugar. A água vai engolindo tudo, por isso temos de obedecer o ritmo das águas. Não tem como lutar contra o rio - diz Lucineide Pinheiro, secretária de Educação de Santarém.
A secretária estuda, junto ao governo federal, a criação de uma escola flutuante que funcionaria dentro de um barco.
A energia elétrica chegou há pouco tempo na região de várzea de Santarém, por meio de gerador, porém nenhum dos colégios possui computadores. Os professores, entretanto, garantem vontade de ensinar não falta.
- Nasci e me criei aqui, por isso conheço a necessidade dos alunos e da comunidade. É preciso haver compromisso com que a gente faz. Nós sabemos que estamos preparando pessoas e que se não estivéssemos lá, elas estariam com seu futuro comprometido - afirma Edinalda Pimentel Silva, de 43 anos, diretora da Escola Municipal São Jorge que reúne cerca de 300 alunos dos ensinos fundamental e médio.
Nalda, como é conhecida na região, conta que já foi convidada a dar aulas em outros pontos da cidade, mas se diz "amarrada" no interior.
Para a diretora, o calendário diferenciado nas escolas da várzea garante um índice de evasão muito baixo.
- Se fôssemos acompanhar o período urbano, as crianças não viriam. Porque é perigoso. Além do mais, neste período, muitas famílias se mudam para áreas de 'terra firme'" - comenta Nalda.
Também é comum as crianças ajudarem os pais a pescar durante as férias.
Nalda diz que os alunos são interessados. E por mais que não possam contar com tecnologia no suporte às aulas, ela não acredita que haja defasagem em relação aos demais estudantes de Santarém.
- Eles têm força de vontade grande, durante o ensino médio vão para o centro para fazer curso de informática e são motivados a trabalhar. Neste ano, duas alunas vão fazer faculdade. Fico muito feliz quando isso acontece.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Maniçoba atiça os sentidos do paraense
Qual o paraense que nunca se deliciou numa gostosa e generosa porção de maniçoba? Este é um dos pratos mais cobiçados por paladares da terra e por turistas, onde muitos destes vêm de longe já com o intuito de experimentar a iguaria.
Feita com as folhas da mandioca, a chamada maniva, a maniçoba é uma receita que atiça todos os sentidos do paraense, ou você nunca entrou em frenesi quando passa na rua e sente a sua vizinhança toda com a panela de maniçoba no fogo, se preparando para os festejos do Círio?
Confira abaixo a receita dessa deliciosa iguaria paraense:
Ingredientes:
3 kg de folha de maniva moída (mandioca brava)
1/2 kg de toucinho
1/2 kg de charque(carne seca)
1/2 kg de linguiça portuguesa
1/2 kg de paio
1/2 kg de lombo de porco
1/2 kg de orelha de porco
1/2 kg de rabo de porco
Alho picado a gosto
Pimenta de cheiro a gosto.
Modo de Preparo:
No 1o.dia coloque a folha da maniva moída numa panela grande com bastante água. Deixe ferver durante todo o dia em fogo brando, sem deixar secar. No dia seguinte, coloque o toucinho e deixe ferver novamente. No 3o.dia, escalde todas as carnes e coloque na panela da maniva para ferver. Mexa de vez em quando. No dia seguinte, acrescente o alho e a pimenta e deixe ferver por mais 6 horas, mexendo de vez em quando. Sirva com arroz branco e farinha de mandioca crua.
Feita com as folhas da mandioca, a chamada maniva, a maniçoba é uma receita que atiça todos os sentidos do paraense, ou você nunca entrou em frenesi quando passa na rua e sente a sua vizinhança toda com a panela de maniçoba no fogo, se preparando para os festejos do Círio?
Confira abaixo a receita dessa deliciosa iguaria paraense:
Ingredientes:
3 kg de folha de maniva moída (mandioca brava)
1/2 kg de toucinho
1/2 kg de charque(carne seca)
1/2 kg de linguiça portuguesa
1/2 kg de paio
1/2 kg de lombo de porco
1/2 kg de orelha de porco
1/2 kg de rabo de porco
Alho picado a gosto
Pimenta de cheiro a gosto.
Modo de Preparo:
No 1o.dia coloque a folha da maniva moída numa panela grande com bastante água. Deixe ferver durante todo o dia em fogo brando, sem deixar secar. No dia seguinte, coloque o toucinho e deixe ferver novamente. No 3o.dia, escalde todas as carnes e coloque na panela da maniva para ferver. Mexa de vez em quando. No dia seguinte, acrescente o alho e a pimenta e deixe ferver por mais 6 horas, mexendo de vez em quando. Sirva com arroz branco e farinha de mandioca crua.
Justiça sugere que mães a procurem antes de abandonar crianças
No Centro de Operações da Polícia Militar de São Paulo, em menos de quinze dias, surgem três pedidos de socorro para casos de bebês abandonados. Mães que fazem isso respondem pelo crime de abandono de incapaz. As que entregam seus filhos para adoção não agem fora da lei. “Deixar a criança em um lixão, numa lata de lixo, jogá-la em um rio, Deixá-la abandonada em um banco de praça, Isso é crime, isso é abandono”, explica o desembargador Antônio Carlos Malheiros.
Ele pede que se procure a Justiça. “Compareça na Vara da Infância com essa criança que alguma solução será dada pra ela sem deixá-la em situação de risco.” Na Zona Sul de São Paulo, um bebê de apenas onze dias passou a noite na chuva, no meio do lixo, em uma rua do bairro do Ipiranga. Ele foi salvo. Em Praia Grande, litoral sul do estado, a mãe deixa o bebê de dez dias em uma caçamba. E na última terça-feira (26), também na capital, mais uma criança é encontrada. Desta vez, no quintal de uma casa na Zona Norte.
No lixo do banheiro
São histórias de bebês abandonados pelas próprias mães. E elas agora vão ter que se explicar na Justiça. O crime é de abandono de incapaz e a pena vai de seis meses a três anos de prisão. Em Jundiaí, a 60km da capital, o Fantástico localizou Daline Batista. Ela é mãe do recém-nascido encontrado na situação mais grave esta semana: prematuro, dentro do lixo, no banheiro de um hospital. A criança acabou morrendo.
Questionada sobre o que estão pensando dela, Daline respondeu: “(dizem)Que eu sou um monstro, que eu simplesmente peguei uma criança e joguei no lixo”. A jovem tem 21 anos, é caixa de supermercado e conta que está no último ano da faculdade de logística. Ela alega que não sabia que estava grávida, nem que tinha dado à luz um menino de um 1,5 kg, dentro do banheiro.
E deu uma versão que surpreendeu a polícia: teria confundido a criança com conteúdo menstrual. “Se eu soubesse que era uma criança, eu jamais teria jogado”, garantiu. “Eu peguei com uma mão. Peguei o papel, coloquei em cima e acabou. Saí do banheiro. Sem dor. Não estava sentindo mais dor nenhuma, que era o que estava me incomodando.”
Daline foi ao hospital porque, segundo ela, sentia fortes cólicas. Chegou a ser atendida por um médico, mas pediu para usar o banheiro. Ali, no lixo, uma faxineira encontrou o bebê.
O bebê levou de 35 a 40 minutos para ser encontrado, segundo a polícia. “Não basta ela dizer que não sabia da gravidez. A gente tem que apurar isso aí. Se ela estiver mentindo, os laudos e as testemunhas dos fatos vão chegar a essa conclusão”, afirmou o delegado.
Na sexta-feira (29) à noite, um dia depois da entrevista, Daline recebeu a notícia de que o bebê morreu. A polícia continua apurando o caso e a mãe, que era investigada por abandono de incapaz, pode agora responder pelo crime de infanticídio - com pena que vai de dois a seis anos de prisão.
Destino para os bebês
Qual o caminho para as mães que não querem ficar com seus bebês? Em Capão Bonito, no interior de São Paulo, uma jovem de 25 anos, solteira, descobriu que estava grávida.
Sem condições de cuidar do filho, ela não pensou em abandoná-lo em situação de risco.
Há dez dias, teve o menino na Santa Casa da cidade. Depois, procurou o Conselho Tutelar e entregou a criança para a adoção.
O bebê está sendo cuidado no abrigo da cidade, onde espera por uma nova família.
A mulher que entrega o filho pra adoção em vez de abandoná-lo na rua não comete crime.
Abandonos de bebês que comoveram o Brasil transformaram mães em criminosas. Em 2006, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, a ação rápida salvou uma criança - que vive hoje com pais adotivos. A mãe foi condenada por tentativa de homicídio e está presa até hoje.
No natal do ano passado, um bebê deixado em uma sacola plástica nos fundos de uma casa em Belém, no Pará, sobreviveu. A criança está em um abrigo do Estado. A mãe, que responde por abandono de incapaz, e o pai estão requerendo a guarda.
Desespero
Em São Paulo, neste sábado (30) à noite, a polícia localizou a mãe do bebê abandonado no quintal quatro dias antes. “Ninguém sabia da minha gravidez. Por medo, desespero, descontrole, eu fiz. Depois me arrependi e não tive como voltar atrás”, admitiu a mulher.
Ela disse na polícia que quer o filho de volta. Já a mãe do recém-nascido encontrado no meio da rua no Ipiranga, também na capital, não demonstrou arrependimento.
É o que diz o policial que a prendeu. “Em momento algum ela quis saber da criança, não perguntou, não quis saber. Ela confessou que tinha abandonado por problemas financeiros. Acho que não justifica”, contou o policial.
No lixo do banheiro
São histórias de bebês abandonados pelas próprias mães. E elas agora vão ter que se explicar na Justiça. O crime é de abandono de incapaz e a pena vai de seis meses a três anos de prisão. Em Jundiaí, a 60km da capital, o Fantástico localizou Daline Batista. Ela é mãe do recém-nascido encontrado na situação mais grave esta semana: prematuro, dentro do lixo, no banheiro de um hospital. A criança acabou morrendo.
Questionada sobre o que estão pensando dela, Daline respondeu: “(dizem)Que eu sou um monstro, que eu simplesmente peguei uma criança e joguei no lixo”. A jovem tem 21 anos, é caixa de supermercado e conta que está no último ano da faculdade de logística. Ela alega que não sabia que estava grávida, nem que tinha dado à luz um menino de um 1,5 kg, dentro do banheiro.
E deu uma versão que surpreendeu a polícia: teria confundido a criança com conteúdo menstrual. “Se eu soubesse que era uma criança, eu jamais teria jogado”, garantiu. “Eu peguei com uma mão. Peguei o papel, coloquei em cima e acabou. Saí do banheiro. Sem dor. Não estava sentindo mais dor nenhuma, que era o que estava me incomodando.”
Daline foi ao hospital porque, segundo ela, sentia fortes cólicas. Chegou a ser atendida por um médico, mas pediu para usar o banheiro. Ali, no lixo, uma faxineira encontrou o bebê.
O bebê levou de 35 a 40 minutos para ser encontrado, segundo a polícia. “Não basta ela dizer que não sabia da gravidez. A gente tem que apurar isso aí. Se ela estiver mentindo, os laudos e as testemunhas dos fatos vão chegar a essa conclusão”, afirmou o delegado.
Na sexta-feira (29) à noite, um dia depois da entrevista, Daline recebeu a notícia de que o bebê morreu. A polícia continua apurando o caso e a mãe, que era investigada por abandono de incapaz, pode agora responder pelo crime de infanticídio - com pena que vai de dois a seis anos de prisão.
Destino para os bebês
Qual o caminho para as mães que não querem ficar com seus bebês? Em Capão Bonito, no interior de São Paulo, uma jovem de 25 anos, solteira, descobriu que estava grávida.
Sem condições de cuidar do filho, ela não pensou em abandoná-lo em situação de risco.
Há dez dias, teve o menino na Santa Casa da cidade. Depois, procurou o Conselho Tutelar e entregou a criança para a adoção.
O bebê está sendo cuidado no abrigo da cidade, onde espera por uma nova família.
A mulher que entrega o filho pra adoção em vez de abandoná-lo na rua não comete crime.
Abandonos de bebês que comoveram o Brasil transformaram mães em criminosas. Em 2006, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, a ação rápida salvou uma criança - que vive hoje com pais adotivos. A mãe foi condenada por tentativa de homicídio e está presa até hoje.
No natal do ano passado, um bebê deixado em uma sacola plástica nos fundos de uma casa em Belém, no Pará, sobreviveu. A criança está em um abrigo do Estado. A mãe, que responde por abandono de incapaz, e o pai estão requerendo a guarda.
Desespero
Em São Paulo, neste sábado (30) à noite, a polícia localizou a mãe do bebê abandonado no quintal quatro dias antes. “Ninguém sabia da minha gravidez. Por medo, desespero, descontrole, eu fiz. Depois me arrependi e não tive como voltar atrás”, admitiu a mulher.
Ela disse na polícia que quer o filho de volta. Já a mãe do recém-nascido encontrado no meio da rua no Ipiranga, também na capital, não demonstrou arrependimento.
É o que diz o policial que a prendeu. “Em momento algum ela quis saber da criança, não perguntou, não quis saber. Ela confessou que tinha abandonado por problemas financeiros. Acho que não justifica”, contou o policial.
Lyoto Machica nocauteia Randy Couture no UFC 129
O nocaute do soteropolitano (radicado em Belém) Lyoto Machida sobre a lenda dos combates, Randy Couture, em Toronto, no Canadá, rendeu muito mais do que a vitória para o desafiante da noite do UFC 129.
Pressionado de ‘demissão’ por duas derrotas no quadro do UFC e nutrindo antipatia do chefão da categoria, Dana White, pelo seu estilo demasiadamente agressivo, The Dragon (‘O Dragão’) – como é chamado o brasileiro – fez uma luta impecável e venceu com um belo chute desferido no meio do rosto do oponente.
Enquanto o Couture agonizava na lona (ele, o “Capitão América”, que já anunciou sua aposentadoria dos ringues) e perdia até um dente da boca, pipocam na web comentários sobre o desempenho do brasileiro. Como é costume na internet, os exageros colocavam Lyoto Machida como um deus dos combates.
Pressionado de ‘demissão’ por duas derrotas no quadro do UFC e nutrindo antipatia do chefão da categoria, Dana White, pelo seu estilo demasiadamente agressivo, The Dragon (‘O Dragão’) – como é chamado o brasileiro – fez uma luta impecável e venceu com um belo chute desferido no meio do rosto do oponente.
Enquanto o Couture agonizava na lona (ele, o “Capitão América”, que já anunciou sua aposentadoria dos ringues) e perdia até um dente da boca, pipocam na web comentários sobre o desempenho do brasileiro. Como é costume na internet, os exageros colocavam Lyoto Machida como um deus dos combates.
domingo, 1 de maio de 2011
Pilotos transportam cabritos, burros e prostitutas na Amazônia
As chuvas, as cheias dos rios, a falta de estradas e o tamanho do território fazem com que a logística na Amazônia seja compensada com o transporte aéreo. Até os anos 90, quando ainda não haviam muitas reservas ambientais e indígenas, os garimpos e as madeireiras eram bem comuns, e serviam como escola de formação de aviadores que desafiavam a morte e demonstravam habilidade ao enfrentar situações surreais como vacas no meio da pista, pouso em clareiras no meio da selva, carga com peso duas vezes maior que a capacidade da aeronave carregando de tudo: cabritos, burros, combustível e até prostitutas para os garimpeiros.
No interior do Acre, pilotos descem do avião para espantar vacas do meio da pista, rezando que os animais não voltem durante a decolagem. O proprietário da empresa Rio Branco Táxi Aéreo Silvio Abílio Almeida Lima, aviador há mais de 30 anos, lembra do dia em que teve que levar cabritos vivos a Cruzeiro do Sul, distante 648 km da capital. Ele conta que quando chegou ao destino, um outro passageiro desavisado abriu a porta do avião.
"Não deu tempo de falar não e os bichos saíram em disparada... eles (os cabritos) viram a porta aberta e saíram correndo pelo aeroporto. Daí saiu o pessoal correndo atrás de cabritos", lembra entre uma gargalhada e outra.
Até a década de 90, a escola de voo na Amazônica eram os garimpos. O comandante Nilton Costa, conhecido como Niltinho, é um dos que aprenderam a voar nesse ambiente. Em seus 40 anos de experiência, ele pode ser considerado um personagem da história da aviação brasileira pelo que viu e viveu trabalhando na floresta entre garimpeiros e madeireiros. Ele lembra ainda com carinho de episódios que quase o mataram.
Niltinho comprou o avião após entrar em falência financeira com os planos econômicos do começo dos anos 90. Ele diz que chegou a voar para boa parte dos garimpos do Sul do Pará, região conhecida pelos conflitos entre garimpeiros, fazendeiros e índios, mas perdeu espaço para pilotos mais corajosos, ou malucos, do que ele.
"Perdi a hegemonia porque um garimpeiro queria transportar 20 mangueiras de 8 m, mas não queria que fossem cortadas. Eu não quis me arriscar, mas outro piloto amarrou as mangueiras ao redor do avião e foi. Depois disso, passou a trabalhar para esse garimpeiro".
Seu companheiro era o monomotor Skylane, que apagava na chuva porque a água se misturava com a gasolina, se orientando no meio da floresta basicamente com uma bússola, o que não compensava os desvios de rota provocados pelo vento. "O que a gente mais fazia era se perder", diz ele ao falar sobre tempos anteriores ao GPS.
O comandante diz que deixou de ser manicaca (piloto inexperiente) "no meio dessas loucuras", carregando até 600 kg em uma aeronave de quatro lugares com capacidade para 350 kg, já com o peso do piloto incluído na conta.
Animais, combustível e prostitutas
"A gente carregava o avião com 500kg, 600 kg, mais o piloto, e tinha que pousar em um clareira de 400 m que os garimpeiros abriam no meio da mata, e tinha que ir, porque se não fosse, um outro piloto fazia, e, na obrigação de sobreviver, era um mais louco do que o outro. A gente dependia daquilo para sobreviver, tinha que enfrentar essas bocadas".
"A gente carregava o avião com 500kg, 600 kg, mais o piloto, e tinha que pousar em um clareira de 400 m que os garimpeiros abriam no meio da mata, e tinha que ir, porque se não fosse, um outro piloto fazia, e, na obrigação de sobreviver, era um mais louco do que o outro. A gente dependia daquilo para sobreviver, tinha que enfrentar essas bocadas".
Ele carregava basicamente tudo o que era necessário para um garimpo, incluindo um burro, combustível, que dividia espaço com os passageiros, e até prostitutas contratadas em uma cidade maranhense. "Um garimpeiro precisava levar 10 prostitutas ele me disse: 'tenho uma carga pra você, uns 500 kg mais ou menos'. Daí ele fez um cálculo do peso das meninas, mas até hoje eu não sei como consegui colocar 10 mulheres em um avião onde só cabiam quatro pessoas".
Violência nos garimpos
No meio da mata, os pilotos se arriscavam no ar e no chão, já que os garimpos eram locais extremamente competitivos e violentos. "Tinha muita matança, roubo... Quando um piloto roubava cliente do outro, ele colocava açúcar no tanque de combustível do rival". Niltinho conta que uma vez foi procurado pela polícia para fazer um "lançamento". "Eles me disseram que precisavam fazer um lançamento e quando perguntei o que era, eles me disseram que era voar com um prisioneiro e atirá-lo lá de cima, mas não tive coragem de fazer isso, fiz muita coisa, mas não conseguiria fazer isso".
No meio da mata, os pilotos se arriscavam no ar e no chão, já que os garimpos eram locais extremamente competitivos e violentos. "Tinha muita matança, roubo... Quando um piloto roubava cliente do outro, ele colocava açúcar no tanque de combustível do rival". Niltinho conta que uma vez foi procurado pela polícia para fazer um "lançamento". "Eles me disseram que precisavam fazer um lançamento e quando perguntei o que era, eles me disseram que era voar com um prisioneiro e atirá-lo lá de cima, mas não tive coragem de fazer isso, fiz muita coisa, mas não conseguiria fazer isso".
Com a proibição da exploração de mogno, a criação de reservas indígenas e áreas de proteção, as autoridades passaram a apertar o cerco contra madeireiros e garimpeiros. Niltinho conta que já precisou sair correndo de alguns lugares para fugir da Polícia Federal.
"Nessa época, o Ibama queria pegar os madeireiros porque a extração de mogno já estava proibida. A Polícia Federal apreendeu o equipamento e o pessoal me contratou para ajudar a resgatar. Nós pousamos e, enquanto eles foram lá buscar, fiquei comendo, mas quando percebi, eles voltaram correndo da Polícia Federal, e corri junto, mas com o prato na mão. Eles me diziam: 'larga esse prato', mas não larguei. Conseguimos entrar no avião e decolar, e lá em cima, terminei minha refeição", lembra.
Personagem de um outro período da história brasileira, quando o extrativismo com seus garimpos e a exploração de madeira eram considerados desenvolvimento da região Amazônica, comandante Niltinho lembra com saudosismo daquela época. Em tempos recentes, a mudança na política de preservação da floresta acabou fazendo com que ele perdesse sua fonte de renda e paixão, o avião. "Fomos castrados, não temos possibilidade de sobreviver. Aqueles que possuíam aviões pequenos com quatro ou seis lugares deixaram de ter condição de voar com o extermínio dos garimpos, dos fazendeiros e madeireiras", reclama.
O presidente da Associação Brasileira de Táxis Aéreos (Abtaer), Milton Arantes, afirma que a região Amazônica tem a característica de ter formado muitos aviadores no garimpo, mas que isso faz parte do passado. "Eles tiveram seu momento histórico porque decolavam de lugares difíceis, voavam sem GPS, em condições extremamente complicadas, mas hoje a situação é bem diferente, já existe uma regulação, um controle, a situação técnica das aeronaves é mais controlada, mas eles tiveram seu valor histórico no contexto da aviação. Mas hoje não se atua mais com esse tipo de profissional, hoje é exigido um conhecimento mais técnico", diz. Segundo Arantes, os aviadores de garimpo eram conhecidos como 'pé e mão' (em referência ao controle da aeronave).
Fonte: Terra
Ameaçado de morte há 18 anos, padre Ricardo Rezende abre o jogo e faz revelações sobre os conflitos fundiários no Pará
O que o atraiu para os conflitos no Pará?
Como se dava o acesso?
O aeroporto de Conceição do Araguaia tinha volume de voos impressionante. Maior parte do acesso às fazendas era de avião, não havia estradas. Chegavam pessoas a convite do governo, mas já não tinha terra. As empresas tinham cercado áreas de 100 mil, 140 mil hectares. Em São Félix do Xingu, a fazenda Andrada e Gutierrez tinha 400 mil hectares. A do Daniel Ludwig tinha 3 milhões. Terras públicas eram privatizadas para grandes empreendimentos. Quando cheguei, vi a necessidade de auxiliar e pensei: É aqui que vou ficar.
Era missão como padre?
Fui ordenado em julho de 1980. Quando cheguei era leigo. Através do Movimento de Educação de Base, dávamos assistência a trabalhadores. Tínhamos cursos de pedreiro, carpinteiro, eletricista. Cada comunidade com escola recebia quadro, giz, lampião, aparelho de rádio e bateria, e sintonizava na aula a rádio da diocese. Instruíamos monitores. Comecei a perceber o conflito fundiário. A população dobrava, mas as terras estavam ocupadas e de forma irregular. Alguém adquiria 13 títulos de propriedade, com 4.450 hectares cada, mas colocava nos lotes área maior. Se pusessem os títulos lado a lado, o Pará teria que dobrar. Havia sobreposição em áreas tituladas, conflitos entre posseiros, moradores antigos e empreendimentos. Havia tiro, morte e outro drama: o trabalho escravo.
Como o senhor se deparou com trabalho escravo?
Ouvi falar de trabalhadores que tentavam sair de fazendas e não podiam, que havia captura, tortura, trabalhador queimado vivo. Empreendimentos que, fora dali, eram bancos ou indústria, lá usavam trabalho escravo. Uma vez, diante da igreja, vi um carro passar. Um jovem pulou e, então, dois homens saíram e o capturaram. Achei que era brincadeira. Depois, compreendi que ele tentou fugir do trabalho escravo.
Como definir o trabalho escravo contemporâneo?
Vêm de fora do estado em que trabalham. O pretexto mais comum no Ocidente hoje é a dívida. A mão de obra mais acessível ao aliciamento é faminta, em estado de miserabilidade. O aliciamento chega como promessa de vida melhor.
Como o senhor teve ideia de criar o arquivo da Comissão Pastoral da Terra?
Era procurado por trabalhadores que revelavam seus dramas. A primeira vez, ouvia estarrecido. A segunda, já esquecia: de que fazenda? Que município? Comecei a anotar e organizar anotações sobre conflito e trabalho escravo em pastas.
Qual o volume do arquivo?
Há mais de 700 depoimentos de sobreviventes do trabalho escravo nos últimos 40 anos no Pará.
Como o senhor ajudava?
Podíamos fazer pouco. Se alguém fugia, tentávamos tirar a pessoa dali para não ser morta e salvar quem ficou na fazenda. Denunciávamos à antiga Delegacia Geral do Trabalho, que compactuava com fazendeiros. A polícia não fazia nada. A mídia nacional também não dava espaço. Quando a internacional começou a dar, pressionou o governo brasileiro. O Estado dizia que éramos comunistas, levantava suspeição sobre nossas denúncias. Para garantir a fé dos documentos, levávamos trabalhadores para fazer declaração em cartório ou polícia de outros locais. No Pará, a polícia estava no crime e não aceitaria a denúncia.
Que caso mais o chocou?
Talvez o da Fazenda Arizona, em Redenção. Capturavam trabalhador que fugia e batiam. Depois, capturavam e matavam. Não adiantou. Então, matavam moralmente: o pistoleiro botava arma na cabeça e obrigava o trabalhador a ter relação oral diante do grupo. Um fugiu e nós o levamos ao procurador-geral da República. Nem assim os envolvidos foram presos.
O senhor foi ameaçado?
Fui por muitos anos, por questões ligadas a conflitos fundiários. De 1979, quando foi morto Raimundo Ferreira Lima, o Gringo, candidato a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, até quando saí do Pará, a lista de trabalhadores assassinados chegou a 200 nomes, 95 fugidos do trabalho escravo. Em Rio Maria, para onde fui depois, sentar na cadeira do presidente do sindicato era concorrer à morte. João Canuto, primeiro presidente, foi morto, como outros.
O fim da ditadura reduziu a violência?
Até 1985, as mortes eram violentas e aleatórias. Com a Nova República, a situação ficou mais complexa. Foi criada a União Democrática Ruralista. Faziam leilões, e a contratação de pistoleiros passou a ser coletiva. Surgiram os chamados grupos de segurança. Em vez de contratar um pistoleiro, fazendeiros contratavam milícia privada. Era mais barato e eficaz, pois havia militares reformados na coordenação.
Como eram as ameaças?
Decidiam-se as mortes sem nenhum cuidado. Sabiam da impunidade. Um vendedor de sementes entrou na casa em que acontecia a reunião de fazendeiros que decidiu pela morte de João Canuto. O vendedor ouviu e lhe avisou. Volta e meia corria lista de 6, 7 pessoas e falavam: ‘Estão dizendo que vão te matar’.
O senhor andou armado?
Não, mas a partir de 1992, o estado me ofereceu segurança. Dois soldados se alternavam dia e noite. Condicionei a escolher meus seguranças. Já tinha acontecido o caso do Chico Mendes. De que adiantou estar com segurança? Ele poderia ser assassino. E eu sabia que a proteção não estava na arma nem na capacidade de usá-la. A proteção estava na farda que ele vestia. Muitos assassinos eram policiais. Atirar em colega era complicado.
Após tantas mortes, por que a da irmã Dorothy teve grande repercussão?
Conheci irmã Dorothy quando ela dava curso de Bíblia e trabalhei com ela. Não foi a primeira freira morta. Antes, teve a irmã Adelaide Molinari. Tinha havido a morte de Chico Mendes, depois do Expedito (sindicalista). Irmã Dorothy seria mais uma, mas era idosa, freira, americana e se preocupava com ecologia. Ela era odiada, pois defendia trabalhadores e o ambiente, tudo que ia contra os projetos dos proprietários.
Qual o papel das mulheres nos conflitos?
De coesão de grupo e coragem. Em Xinguara, os trabalhadores estavam ameaçados e cercados por pistoleiros. Ninguém conseguia entrar. Mas uma mulher da Assembleia de Deus, que usava cabelo comprido e levava uma Bíblia debaixo do braço, entrava com munição para os trabalhadores e nem a polícia desconfiava. Outra figura é dona Pureza, que saiu pelo mundo procurando o filho, levado para o trabalho escravo. Carregava Bíblia, máquina fotográfica e o que chamava de ‘caderno da encrenca’, onde anotava e classificava as fazendas. Saía fotografando tudo e ninguém desconfiava.
O senhor foi um dos idealizadores do uso de artistas como mecanismo de proteção. Funciona?
Sim. Levar artistas para áreas onde as pessoas são ameaçadas é um aviso: ‘Atirar nesta pessoa é um tiro em mim. Estou sabendo e acompanhando’. Camila Pitanga e Letícia Sabatella foram a Rondon do Pará. Protegeram dona Joelma, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais que é ameaçada de morte e cujo marido foi morto nesse cargo, andando com ela pela cidade.
Proteção oficial é difícil?
Acompanhei a história do padre Josimo. Tínhamos a mesma idade e trabalhávamos na mesma equipe. Josimo sobreviveu a atentado de cinco tiros. Eu e cinco bispos tivemos audiência de 40 minutos com o presidente José Sarney. Pedimos medidas de segurança. Dez dias depois, em 10 de maio de 1986, Josimo foi assassinado sem proteção.
Como está hoje a região?
Ainda há violência e assassinatos. Pela terra e hoje por outros fatores. O caso da irmã Henriqueta (jurada de morte há 2 anos) e de pelo menos dois bispos ameaçados está ligado a denúncias que fazem de pedofilia no Pará. Há denúncia também de tráfico humano. Não é mais igual aos anos 70 e 80. Antes, o estado promovia a violência. Depois de 85, a polícia só está nela clandestinamente. Salvo caso conhecido como ‘a curva do S’, quando policiais fardados assassinaram 19 pessoas do MST. Havia ordem para detê-las a qualquer custo. Para a polícia paraense, isso significa matar. Eles não estão habituados a fazer diferente.
E no trabalho escravo?
Foram criados o Grupo Móvel de Fiscalização e a ‘Lista Suja’, que é o cadastro das empresas publicado pelo Ministério do Trabalho. Já houve condenações por uso de trabalho escravo. Aspecto negativo: nenhum fazendeiro está preso, e a reforma agrária não se deu.
Qual o maior desafio?
Proteção. É gravíssimo o fato de que 13 pessoas, entre elas três bispos e uma freira, estão ameaçadas, pediram proteção do governo e não receberam. Há outros ameaçados, como Frei Henri, que tem a proteção dos que me prestaram segurança. O estado não consegue dar um basta à história de ameaças. E ainda há trabalho escravo.
No Rio também?
Sim. No Rio, está no campo, na construção civil e na telefonia, em Petrópolis.
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